Espero que este blog venha suprir a necessidade de informação acerca da Doença de Behçet e que permita uma troca produtiva de experiências entre todos os interessados.
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Dia mundial da Doença de Behçet
Um pequeno grupo de pessoas está a pensar em reunir-se à volta de uma mesa… um almoço ou jantar convívio é bem vindo… e discutir acerca do tema, trocar ideias e experiências tentando dar a conhecer melhor a doença e acima de tudo conviver e mostrar que não é um drama viver com ela. Um dos temas a debater será também a possibilidade de criar uma associação para apoiar os doentes com Behçet.
Era interessante reunir um número significativo de pessoas, doentes, familiares, médicos e todos os interessados.
Todos são bem vindos, agradecia que entrassem em contacto comigo o quanto antes caso estejam interessados em participar.
Quanto mais cedo se souber o número de pessoas interessadas melhor, para se poder organizar convenientemente o "programa" e marcar o restaurante.
No futuro darei mais pormenores, mas esta reunião deverá ser feita na área de Lisboa devido ao número de participantes já interessados (localização sujeita a alteração se se justificar).
Saudações a todos
Carla
sábado, fevereiro 17, 2007
Doença de Behçet - Recolha de ADN
Vai-se realizar uma colheita no IPR em Março, era bom se pudessem participar na mesma altura, quando souber pormenores aviso.
Se estiverem interessados em participar neste estudo entrem em contacto comigo através do e-mail behcetemportugal@gmail.com que eu transmito a mensagem aos responsáveis pelo estudo ou directamente a Joana Xavier e-mail: jxavier@igc.gulbenkian.pt , que integra o Grupo de Genética Humana do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC).
Cumprimentos a todos
Carla
quarta-feira, janeiro 17, 2007
Estudo da genética do Behçet
Sabemos que esta doença é influenciada por factores ambientais mas que também possui uma forte componente genética e é esta que pretendem investigar! Quem quiser participar no estudo é bem vindo.
Carla
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Questões e duvidas frequentes...
Quem é afectado pela Doença de Behçet – esta só ocorre em certas áreas geográficas?
A prevalência da doença varia nos diferentes países, estudos epidemiológicos mostraram os seguintes dados: 11.9 por cada 100.000 no Japão (2003)
2.26 por cada 100.000 na Alemanha
1.4 por cada 10.000 na China
1.67 por cada 10.000 no Irão
8-37 por cada 10.000 na Turquia
2.0 por cada 10.000 na Arábia Saudita
1.7 por cada 10.000 no Iraque
0.76 por cada 10.000 no Egipto
0.25 por cada 10.000 na Europa
As diferenças regionais são um facto bem conhecido na Doença de Behçet, por exemplo a frequência de lesões gastrointestinais é elevada nos casos reportados no Japão mas são raras nas populações da Europa e do Mediterrâneo. Similarmente, as lesões pulmonares são raras no Japão mas mais frequentes na Europa. A incidência por sexo da doença varia de pais para pais, os homens são mais afectados que as mulheres na Turquia e países árabes, e a proporção é usualmente de 2-3 homens:1 mulher, enquanto que no Japão e em alguns países europeus são as mulheres as mais afectadas. Existem casos reportados na mesma família, mas são raros. A Doença de Behçet pode afectar homens e mulheres de todas as idades, mas desenvolve-se mais frequentemente entre os 20 e os 29 anos.
O que causa a Doença de Behçet?
Quais são os sintomas da Doença de Behçet?
terça-feira, janeiro 10, 2006
Tratamento do Síndrome de Behçet
Treatment of Behçet's
Syndrome
By Sebahattin YURDAKUL &Vedat HAMURYUDAN (
Editor:
Co-editor:
Tratamento do Síndrome de Behçet
O tratamento corrente do Síndrome de Behçet ainda continua a ser sintomático e empírico mas a maioria concorda que o resultado nos nossos pacientes é melhor hoje do que era há 20-30 anos atrás. Contudo os agentes disponíveis utilizados no tratamento do Behçet (com excepção do alfa-interferon) permaneceram praticamente imutáveis durante as ultimas duas décadas. Utilizamo-los com maior perícia hoje em dia, sendo muita dessa perícia proveniente de informação obtida em testes clínicos.
Ainda existe uma diferença considerável, mesmo entre os peritos, na sua abordagem ao tratamento. Uma sondagem, conduzida no recente congresso internacional em Reggio Emilia, demonstrou a falta de consenso nos controversos assuntos do tratamento [1]. Outro exemplo desta marcada divergência está reflectido numa revisão recente acerca do Síndrome de Behçet [2]. Nesta revisão, a colchicina é recomendada como prevenção tanto de uveites anteriores como de uveites posteriores com um grande grau de eficiência ao passo que os autores desta carta dificilmente prescreveriam colchicina aos seus pacientes para o tratamento de uveites. Acreditamos que estas diferenças vão continuar até que saibamos mais acerca da patogenia, até que estejam disponíveis resultados de testes a drogas, conduzidos de forma mais correcta, e até que sejam definidos instrumentos fiáveis para avaliar a actividade da doença e os danos que provoca.
O tratamento do Síndrome de Behçet é adaptado à localização e à severidade das manifestações da doença.
Úlceras orogenitais ligeiras são tratadas recorrendo à aplicação local de corticóides e anestésicos. Por outro lado, sabemos que pacientes do sexo masculino e pacientes com um começo da doença em jovem (antes dos 25 anos de idade) geralmente têm um percurso mais severo da doença requerendo um tratamento mais agressivo.
Destas drogas a talidomida tem um rápido e poderoso efeito em úlceras orais e genitais e em lesões foliculares do síndrome de Behçet. Mais, é a única droga que pode induzir o completo alivio das úlceras orais e genitais [3]. Contudo, não parece ser uma droga que modifique a doença, acontecendo recaídas após a paragem do tratamento. Devido aos seus severos efeitos secundários como a teratogeneidade e polineuropatia, esta droga não deve ser usada rotineiramente em clínica. Até que estejam disponíveis drogas análogas a esta e seguras, a talidomida deve ser reservada para casos severos resistentes a outras alternativas.
Vale a pena mencionar que por muitos anos tem sido reclamada uma etiologia infecciosa para o Behçet e que vários tipos de estreptococos têm estado à frente das suspeitas. Uma experimentação com penicilina em Ankara indicou já resultados promissores especialmente em doenças mucosocutâneas e artrite [5] mas há necessidade de mais trabalho.
Um aspecto a ter também em conta no tratamento do Behçet é a terapia de combinação. Apesar de muitos centros utilizarem várias drogas em combinação (como a colchicina com um imunossupressor ou a azatioporina combinada com ciclosporina), existe muito pouca informação formal acerca destes tratamentos. Este género de experiência formal é também necessário para uma melhor gestão dos pacientes.
Em suma, nos últimos anos viram-se progressos substanciais no tratamento das manifestações oculares e mucosocutâneas do Síndrome de Behçet. Infelizmente ainda estamos longe de satisfazer as necessidades no tratamento de manifestações do Behçet que ameaçam a vida como o envolvimento do Sistema Nervoso Central ou do Sistema Vascular.
Estudos multi-centrados e melhores métodos de avaliação dos pacientes vão ajudar à melhoria nos tratamentos desta misteriosa doença. Esperamos que a nossa recentemente formada Sociedade Internacional de Behçet (International Behçet Society) seja um contributo na organização de tais estudos.
[1] Yazici H et al. Clin Exp Rheumatol. 1999, 17: 145-147.
[2] Sakane T et al. N Engl J Med. 1999, 341: 1284-1291.
[3] Hamuryudan V et al. Ann Intern Med. 1998, 128: 443-450.
[4] Demiroglu H et al. Lancet 2000; 355: 605-609.
[5] Calguneri M et al. Arthritis Rheum 1996, 39: 2062-2065.